quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Ferreiro e a Rosa

E disse que ia ter outro post!! Bom o conto a seguir é de minha autoria. Resolvi psotar para vcs.


Espero que gostem.


O Ferreiro e a Rosa

Cada passo só causava mais dor. Os braços rasgados, a pele do corpo aberta, os pés lacerados. Mas isso tudo não seria capaz de impedi-lo... tinha que continuar...

Esse entardecer seria como outro qualquer, se ele não a tivesse visto. O pobre, porem habilidoso Ferreiro voltava da cidade. Tinha sido um dia realmente bom, pois alem de ter conseguido mais metais por um ótimo preço, um nobre lhe tinha feito uma grandiosa encomenda. Com certeza, com o pagamento, poderia se dar ao luxo de comprar melhores ferramentas e mais alimentos, e quem sabe até um pouco de vinho para as noites mais frias ou alegres?

Estava se aproximando da floresta onde morava, quando cruzou a frente do castelo de Wisendarts. Soube que havia novos moradores, mas até o momento não tinha visto ninguém. Então, quando olhou para a janela ao lado da torre leste, ele a viu. Uma Jovem, de cabelos castanho escuro indo até pouco abaixo dos ombros, pele moreno claro, olhos castanhos. E enquanto observava ele percebeu 2 coisas: Que em toda sua vida jamais tinha visto algo tão belo quanto essa dama. E, que naquele momento, ele estava olhando para o amor de sua vida.

Durantes os 3 dias seguintes, durante o entardecer, o Ferreiro parava seu trabalho e ia até o castelo esperar que a Jovem fosse a janela. E, por alguma força orça indefinível, ela sempre ia. Ele jamais falava com ela, em verdade, ele a observava escondido, com medo de que ela o visse e tivesse medo. Ele tinha procurado saber quem era a família. Ela, nada mais era do que a filha do nobre que tinha feito a encomenda. Um homem que todos diziam ser bom e honesto e justo, e que era visto com desdém pelos outros nobres, por não se importar com a classe social.

O Ferreiro a amava. Durante seus dias nas oficinas, enquanto o martelo agredia o aço avermelhado pelo fogo, enquanto o metal berrava em dor por ser submetido à água fria sem viso, ela enchia sua mente e coração. Ele precisava se declarar. Mas mesmo que seu pai não o impedisse, ele ainda era um simples ferreiro. Ela provavelmente iria querer algo como mostra desse amor. O que ele poderia oferecer? Mesmo que se desfizesse de tudo, jamais poderia ter ouro o bastante para comprar algo a altura daquela deusa encarnada em um corpo humano.

Ao pensar lhe veio uma idéia: forjaria uma rosa de metal e entregaria pessoalmente. Colocaria neste trabalho o próprio suor e alma, fazendo deste presente, algo vindo do próprio sangue. Mas logo desistiu. Não haveria como pintar o metal de forma que o vermelho fosse o bastante. Acabaria por insultá-la ao entregar ao tão mal feito. Então ele se lembrou! Seu pai havia lhe contado uma história, de que no Pico de Sangue Existia uma armadura, que teria sido usada por um guerreiro a serviço de Deus. Quando estava para falecer, depois de lutar anos pelo Senhor, Deus lhe retirou a alma e o conduziu pessoalmente para sua morada eterna. Mas o homem era um Guerreiro antes de tudo e não queria partir de forma tão suave. Deus, entendendo o pedido, feriu o corpo do homem e usou o sangue para banhar a armadura dele dizendo: “Agora, mesmo que teu corpo pereça, seu sangue viverá metalizado e imortal, como prova de fé, esperança e amor, pois ti foste um homem que escolheu chegar a mim pela dor, mesmo quando isso não era necessário.”

Sim, com certeza a armadura lhe renderia o metal necessário. Mas teu pai também dizia que Deus fez o um local perigoso, para que apenas homens de amor verdadeiro pudessem alcançar a armadura. “Não importa, preciso daquele metal, e depois, o que á de ser to perigoso?”.

E assim partiu na manha seguinte. Levou apenas 1 hora par chegar no Pico e percebeu que não seria fácil: Espinhais cresciam por todo o pico e ruas rochas eram pontiagudas e letais. Começou a escalada. Apesar de difícil, Tudo corria bem. Anoiteceu. Estava próximo do topo quando viu a armadura. Ainda de pé, como se existisse um cavaleiro em seu interior, refletindo o luar, revelando um metal de vermelho sangue magnífico e belo. O homem começou a subir com mais força e velocidade, ignorando o cansaço do corpo. Então, escorregou em uma rocha traiçoeira e uma rocha particularmente pontiaguda lhe cravou no braço cortando-o do ombro a mão, logo o braço direito, o que era necessário para martelar o metal. Mas o piro não havia lhe acontecido ainda. Ao cair, caiu sobre o espinhal, tendo a pele do corpo lacerada. Tentou se levanta, quando sentiu um espinho mais avantajado atrave-sar-lhe o pé esquerdo e o fazer desmaiar de dor. E fazendo –o cair ainda mais.

O sol já estava quase no topo quando acordou. E a primeira coisa que reparou, foi a dor, intensa e cruel. Sentiu algo pesado nas mãos, e viu que a rocha traiçoeira, na verdade, era o elmo da armadura. Então se lembrou que quando viu a armadura, a mesma estava sem o elmo. Provavelmente o vento o derrubou e como estava noite o ferreiro não notou e q eu segurava. Mesmo com dor levantou e voltou a sua caba. Precisava cuidar destas feridas. Estava satisfeito, pois via que tinha conseguido o tal metal. Descansaria por 3 dias e esperaria os ferimentos melhorarem e poderia fazer sua rosa. Ao chegar reparou um aviso na porta, onde leu:

“Caro senhor Ferreiro, venho lhe informar que eu e minha filha estaremos de partida dentro de 2 dias, gostaria portanto de pedir que apressasse a encomenda. Grato.”

E agora? O que fazer? Teria que ser rápido. Arrumou suas ferramentas, acendeu o fogo e pos se a trabalhar. Tinha pouco tempo. O medo de perder o amor da sua vida não era forte o bastante para fazê-lo ignorar a dor, o barulho dos ossos rangendo ou o sangue pingando cada vês mais. Mas o amor que ele nutria era forte o bastante para fazê-lo forte o bastante para resistir e prosseguir.

Os baús já estavam na carroça. O Nobre estava triste, pois o Ferreiro tinha lhe parecido tão honesto. Estava para chamar sua filha quando o viu. A cena o chocou. O Ferreiro vinha pela estrada, cambaleante, coberto de sangue, em muitas partes secas, e com um numero incontável de ferimentos. O Nobre o amparou e ao ver seu estado, chamou a filha para que cuidasse do homem enquanto ia de cavalo a cidade chamar um médico. Ela desceu e viu o Ferreiro, deitado na grama e correu para ajudá-lo. Ao vê-la, ele sorriu. Ela perguntava-lhe o que havia acontecido, mas ele não respondia. Então tirou a rosa da bolsa que carregava e entregou a Jovem, confessando ao mesmo tempo seu amor e dizendo o que fez para dar a ela algo a sua altura.

“Então era você?” perguntou a Jovem. E contou que sempre o via a observá-la, mas ela jamais conseguia ver seu rosto, pois o Ferreiro sempre estava na sombra de alguma árvore. Mas ela sonhava com ele. E quando ele ia olhá-la ao entardecer, sentia o amor que fluía do seu coração para o dela, como um rio que segue seu curso imutável. Por isso, todo entardecer ela ia a janela na esperança de que, o homem misterioso (que agora ela sabia ser o Ferreiro de quem o pai tanto falava com orgulho, dizendo como seria bom que sua filha se apaixonasse por um homem trabalhador e honesto com ele) estivesse ela novamente.

O Ferreiro sorriu de alegria Mas a dor começou a sufocá-lo. Os 2 dias de trabalho sem descanso para o corpo e sem tratamento para as feridas haviam lhe causado mais do que dor. Haviam assinado-lhe a sentença de sua morte.

Ela percebeu o que ocorria e enfim perguntou:

-Por que fizeste tudo isso afinal?

- Para mostrar que te amo.

A Jovem em prantos gritou:

-Por que simplesmente não me disseste isso? Por este amor vais morrer sem em dar a chance de retribuí-lo! De que me serve uma prova de seu amor, se eu não posso apreciar o sabor de seu sentimento? De que me serve teu amor, se eu não terei a chance de te amar?

Suas lágrimas cristalinas caíram sobre a Rosa. O amor daquela lágrima reagiu com o amor do suor incrustado naquele metal, realizando um milagre: O corpo do Ferreiro estava pleno novamente, como se nada tivesse acontecido, enquanto a rosa se tornava prateada como o luar. O Nobre tinha acabado de chegar com o médico e diversos aldeões, pois todos gostavam do Ferreiro e todos puderam presenciar este milagre.

E até hoje, enquanto esta história é escrita, as pessoas comentam sobre a voz que foi ouvida no momento que o milagre se realizou, e das palavras ditas:

O amor verdadeiro é capaz de superar a dor, a fadiga, os limites do corpo e até mesmo a morte!

FIM

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